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Estudo identifica maior mortalidade e recorrência do câncer entre consumidores da suplementação

04 de fevereiro de 2020

Excesso de suplementação de vitaminas e antioxidantes não faz bem e não previne câncer; pelo contrário, pode contribuir para o seu aumento e também surgimento de outras doenças.

Como seria fácil se, em vez de nos preocuparmos em ter uma alimentação saudável e equilibrada ao longo do dia, pudéssemos simplesmente ingerir pílulas com todos os nutrientes necessários ao nosso organismo.

Parece ser nisso que algumas pessoas se baseiam ao utilizarsuplementação vitamínicasem necessidade e sem recomendação médica. Contudo, tal prática não está colaborando com uma saúde melhor e, provavelmente, pode estar prejudicando.

Um estudo observacional realizado pelo Departamento de Prevenção e Controle do Câncer do Comprehensive Cancer Center de Roswell Park , Buffalo, descobriu que pacientes de câncer que relataram o uso de qualquer antioxidante antes e durante o tratamento quimioterápico , incluindo vitaminas A, C e E , bem como carotenoides e coenzima Q10 , tiveram 41% mais chances de apresentar recorrência da doença.

Já os pacientes que tomaram suplementos de vitamina B12, ferro e ácidos graxos ômega-3 tiveram um risco significativamente maior de recorrência e morte por câncer de mama .

Apesar de este ser um estudo pequeno, os resultados reiteraram muitas outras pesquisas. Existem meta-análises , que é análise de uma população de vários estudos, alguns feitos já na década de 90, mostrando a mesma situação: mega-doses de vitaminas e de antioxidantes administrados de forma artificial por suplementação não têm um efeito preventivo de doenças , não apresentam nenhuma influência no tratamento, ou, o que é pior, têm um efeito deletério , interferindo negativamente na sobrevida dos pacientes de câncer. Ou seja, os pacientes acabam tendo uma sobrevida menor do que quem não faz a suplementação.

Uma das hipóteses para o aumento da mortalidade entre os consumidores de antioxidantes é o bloqueio do efeito da quimioterapia . De fato, uma certa quantidade de antioxidantes, vindos da alimentação, ajuda a controlar a quantidade de radicais livres no organismo, pois estes, em excesso, podem oxidar células saudáveis , como proteínas, lipídios e DNA. Mas o processo de oxidação natural e em equilíbrio é importante para que as células cancerígenas sejam eliminadas tanto pela quimioterapia, quanto pelo próprio sistema imunológico, no caso, por exemplo, de pacientes fumantes .

Então, quando você ingere pela suplementação uma quantidade muito maior do que a natural, você acaba criando um bloqueio na oxidação natural e dificultando o efeito lesivo da quimioterapia na células tumorais , e mesmo o efeito do sistema imunológico natural que nós temos.

Isso significa que ninguém deveria fazer ingestão de suplementação? Também não é assim. A suplementação artificial feita com cápsulas compradas é uma ótima alternativa para pessoas que não conseguem suprir, pela alimentação, a necessidade diária de micronutrientes . Mas, para quem não tem nenhuma deficiência alimentar , não se recomenda essa suplementação.

Não há estudos que comprovem os benefícios . Pelo contrário. Portanto, não se deve utilizar sem ter uma recomendação médica . E, hoje, nós temos formas de identificar essas dosagens no sangue para saber se é necessário ou não.

Para finalizar, a colega endocrinologista Daniele Zaninelli compilou, em uma tabela, as principais recomendações de um artigo publicado na revista JAMA * para uso de suplementação, a qual compartilho com o leitor a título de curiosidade. Mas, lembre-se: o uso de qualquer um deles deve ser recomendado por um médico conforme a necessidade de cada pessoa!

Fonte:Portal Uai / Saúde Plena


Marcadores: Saúde

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