Câncer do Sistema Nervoso Central
Os códigos topográficos são C70-C72
O cérebro e a medula espinhal formam o Sistema Nervoso Central (SNC). Os tumores do SNC devem-se ao crescimento de células anormais nos tecidos dessas localizações. O câncer do SNC representa de 1,4 a 1,8% de todos tumores malignos no mundo. Cerca de 88% dos tumores de SNC são no cérebro.
Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer
Estimativa de novos casos: 11.490, sendo 6.110 homens e 5.380 mulheres (2022 - INCA).
Número de mortes: 9.684, sendo 4.996 homens e 4.686 mulheres (2021 - Atlas de Mortalidade por Câncer - SIM).
As causas de tumores do SNC ainda são alvo de muitos estudos. Entende-se atualmente que essa doença é multifatorial, ou seja, ela é causada pelo somatório de várias alterações genéticas. Algumas dessas alterações são adquiridas durante a vida, por predisposição ou por exposição. Outras são hereditárias e estão presentes em algumas síndromes familiares associadas com tumores do SNC, como a neurofibromatose.
Os fatores que conhecidamente aumentam o risco são:
Muitos outros possíveis fatores de risco para o desenvolvimento desses tumores já foram estudados, mas até hoje não se confirmou sua relação com a doença. Entre eles: traumatismos na região da cabeça, várias substâncias químicas (entre elas alguns derivados do petróleo), consumo de aspartame (tipo de adoçante artificial).
Alguns estudos tentaram relacionar a exposição excessiva ao celular (radiofrequência) e transformadores/cabos de alta tensão (ondas eletromagnéticas) com um possível aumento de risco de tumores do SNC, mas até agora nada ficou estabelecido.
As causas ambientais e ocupacionais relacionadas ao maior risco de tumores do SNC são:
Estudos apontam fortes evidências da relação do excesso de gordura corporal com o aumento do risco para o desenvolvimento de meningioma. Verifique se seu peso está adequado.
Até o momento, não existem medidas definidas para a prevenção específica dos tumores de SNC.
Dor de cabeça - Não é qualquer dor de cabeça comum que levanta a suspeita de tumores do SNC, apenas quando ela apresenta algum sinal de alarme. Esses sinais são: surgimento de dor de cabeça em pacientes que nunca sentem esse tipo de dor, mudança do tipo de dor de cabeça, piora da intensidade (quando ela fica mais forte com o passar do tempo), aumento da frequência (quando a dor aparece mais vezes), ou quando a dor é fixa (toda vez ela aparece no mesmo lugar), dor de cabeça associada a vômitos.
Epilepsia ou outras crises convulsivas - principalmente quando o paciente apresenta a crise pela primeira vez, sem ter recebido o diagnóstico de epilepsia antes.
Perda de funções neurológicas - que são chamados de déficits focais - quando há perda de força ou do tato nos membros; de visão ou de audição; alterações da fala ou da capacidade intelectual (compreensão, raciocínio, escrita, cálculo, reconhecimento de pessoas); ou de comportamento (apatia, agitação ou agressividade) em relação ao padrão normal da pessoa. O surgimento de uma ou mais dessas alterações deve ser sempre relatada ao médico.
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar o tumor numa fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.
A detecção precoce pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.
Não existem exames de rotina padronizados para detecção precoce de tumores do Sistema Nervoso Central e não há evidência científica de que o rastreamento do câncer do SNC traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.
Já o diagnóstico precoce possibilita melhores resultados em seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:
Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.
Na presença de um ou mais sintomas a avaliação médica é fundamental e deverá ser realizada o mais rápido possível, visto que geralmente o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento. As informações dadas pelo paciente e pelos familiares, aliadas aos exames físico e neurológico realizados na consulta médica serão fundamentais para as suspeitas de tumor do SNC.
Os exames de imagem como Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM) com contraste são os principais na investigação dessas doenças. Existem estudos especiais, mais aprofundados, realizados com a TC e a RM, tais como: a AngioTC e a AngioRM, a espectroscopia, permeabilidade, difusão, perfusão e outros.
Além dos exames de imagem, alguns tumores necessitam de investigação diagnóstica complementar com exames de laboratório, campimetria visual, audiometria e avaliação médica específica por outras especialidades.
Os tumores do Sistema Nervoso Central têm tratamento complexo e multi-disciplinar, envolvendo fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição, dentre outros. O tratamento começa com o neurocirurgião, que avalia a possibilidade e indicação de procedimento neurocirúrgico para remoção do tumor ou de fragmento de tecido para biópsia. O material retirado na cirurgia é examinado pelo médico patologista para chegar ao diagnóstico definitivo. Os próximos passos do tratamento e a evolução da doença vão depender do tipo específico de tumor que consta no laudo histopatológico.
Após a confirmação do diagnóstico o paciente será avaliado pela Oncologia Clínica e pela Radioterapia, clínicas essas que, respectivamente, indicarão a necessidade ou não de tratamento quimioterápico e/ou radioterápico. Todo o seguimento e acompanhamento serão feitos em conjunto pelo neurocirurgião, pelo oncologista clínico e pelo radioterapeuta. Outras especialidades médicas também podem ser necessárias durante o acompanhamento.
O tempo de acompanhamento dos pacientes com tumores de SNC depende do tipo histológico, ou seja, do tipo de tumor indicado pelo laudo histopatológico.
Pacientes com tumores benignos retirados completamente durante a cirurgia podem ser acompanhados por 5-10 anos e, na ausência de aparecimento de doença nesse período, podem receber alta do tratamento oncológico.
Já em pacientes com tumores malignos, ou com tumores benignos onde não foi possível a cirurgia para retirada completa da lesão, o acompanhamento é prolongado, com reavaliações semestrais ou anuais, de acordo com a avaliação médica.